sempre a mergulhar na falta de ar.
És uma espécie de abecedário
que apaga as vogais para não falar.
És como um dia de aniversário
que acaba e se deita antes de acordar.
E as páginas escritas do teu diário
falam de dias que nem vão chegar.
Antes de saíres do teu armário,
trancas bem as portas de par em par.
Um dia queres ser antiquário,
e a seguir, vendes tudo para renovar.
Na tua vida fazes inventário
de coisas que nem chegaste a comprar.
Ensaias o texto, pintas o cenário,
mas fechas o pano antes de estrear.
Procuras sentido no dicionário,
para o vício que tens de ser solitário,
mas não há palavra, nem obituário
que explique a razão de viveres ao contrário.







