Sente-se hoje no ar
Uma espécie de luto,
Como moléstia podre
Que cobre árvores de fruto.
Ouve-se hoje aqui
Um silêncio de morte,
Como o que fura os tímpanos
Dos que têm má sorte.
Uma espécie de nojo
Enche bocas caladas,
Como o zero que ocupa
lutas desalojadas.
Nos intervalos de dor,
É a lama que cheira.
Nesta espécie de cova
Não assenta a poeira.
É uma espécie de sova,
Uma espécie de tareia.
É uma espécie de ilha...
Uma espécie de Madeira...

1 comments:
Adorámos.
Vitor e Marina
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